janeiro 24, 2013

Controvérsias



Novelo e dez libras de pimenta. A canela ficou no cais, os carregadores sentados mordiscando gordura de toucinho. Empunham cartas que atiram sem conhecer os naipes. Sentado no muro, um sonhador. Será levado pela maré. Os capatazes vestidos de azul garganta e laranja demónio esperam o almoço. Beberricam cálices de anis. A água pejada de cravinho servirá de digestivo. Como um chá beligerante. Como velhas empunhando ceptros papais. O arlequim confere contentores. As gruas recortam o poente, bafejando o fim da tarde à laia de bouqué. Ao toque da sirene chega o tatuador. Escolhe, esburaca e craveja. Para uns um Rueben. Outros, apenas pão sem sal.

1 comentário:

Anónimo disse...

Salva-se o sonhador que a maré levou e trouxe de novo, para que os aromas se misturassem nas cores.