janeiro 27, 2013

Ninando Johnny



Johnny deixou os ténis à porta de casa e correu rua abaixo, ciente da bicicleta sem travões. Conhecia todos os cantos da fábrica, alargando os horizontes à medida que o cheiro a mar lhe enchia os pulmões. A meio da pequena passagem entre o jardim e a mansão das velhas, olhou para cima e não encontrou o azul que procurava. Era noite. As luzes faiscaram, electrificando-lhe partes da alma que julgava desligadas. Subiu a rua da juke-box, ouvindo o matraquear das bolas de bilhar. Eram os sons do seu berço, um dedilhar de ancas e cabelos nem por isso sedosos, onde cada sorriso se obtia com um beijo no pescoço. Johnny procurou nas lembranças e na caixa onde jazem as recordações. Vasculhou os lados ocultos da sua lua. Encontrou-se à espera. À sua espera.

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