janeiro 24, 2013

O guarda-livros comprou cigarros



Eu sei que não vou conseguir escrever o que pretendo, como se o uso de um verbo pudesse definir, ser e sentir ao mesmo tempo, essa miragem de emoções perdidas ou apenas deixadas sobre alguma almofada, na crença de voltar e encontrar tudo igual. Por toda a procura feita busca, estão escondidos ratos na cozinha, apreciando o calor e desenhando futuros esconderijos. Faz-me falta uma janela onde consiga ver uma janela de luz trémula e embaciada antes da meia-noite. Sei porque existem porquês que se comem à colher, e existe um quarto onde a porta não fecha completamente, com armários de surpresas nas gavetas e um cobertor esburacado que cheira sempre a aconchego. E porque sei todas estas coisas, não preciso de escrever o que pretendo. Deixo a adivinha ser eu próprio.

1 comentário:

AnaMar (pseudónimo) disse...

'porquês que se comem à colher' são portas entreabertas para adivinhar quem escreve.

(fabulosa música de fundo a um texto meteórico)