janeiro 20, 2013

Perdões e pecados



Chegar como se um leme fosse bastante. No sol um limite de horizonte pregado na margem, um salto ou um grito, o que te aprouver, nem que seja maldito pois o prazer tem direitos que as coisas mundanas não têm. Por detrás da porta, da janela e do reposteiro, os copos pousados no piano, a penumbra como máquina de escrever, desfiam-se corpos, percorridos como labirintos, sem pedrinhas para marcar caminhos, sentidos únicos de intensa ventriloquia. O chão, pasto de dolências e carícias, recebe o estio. A seiva corre, livre de intentos e caules, presa a colmeias como prisões, ameias onde se deitam as armas e os cansaços. As bocas caladas, dormentes, seguem o recorte de um dia que se deita, e elas, deitadas, deixam-se apagar, suadas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Partir como se o sol fosse breve.
(N)um grito porque a minha liberdade é a porta que separa os mundos paralelos. Complexo o corpo desafiante.
Paro de escrever à máquina e sussurro-te segredos que não queres.
Desvendas olhares calados enquanto as bocas se deitam nas almas suadas. e acesas duma paixão que (RE)conheces.

o perdão habita o pecado?