fevereiro 17, 2013

Estático



Quando sozinho é cor e janela aberta,
evito debruçar-me sobre o meu caso,
como se a prevenção fosse beijo,
como se todos os poetas se sentassem da mesma forma,
pés assentes num chão de madeira
pensamentos pesados,
estéreis,
repetidos a compasso
na musicalidade de todas as revoluções,
na quietude dos heróis
quando acenam das varandas em ruínas
perigando as verdadeiras vítimas
e seus gemidos.

Sentado,
absorvido em posses e frases escritas,
ouço passar na rua o que existe
e vale a pena.

Já tarde
depois da noite calar a vida,
recordo em vez de viver,
como se tudo o que aconteceu
fossem apenas contos.

1 comentário:

AnaMar (pseudónimo) disse...

"Quando sozinho é cor e janela aberta,
evito debruçar-me sobre o meu caso,
como se a prevenção fosse beijo,..."

franca assunção de luta retraída
(por vezes o cansaço vence a vontade e somos espectadores da (nossa) vida) mas por breves momentos apenas, em que o poema nos torna humanos na acepção da palavra (de honra)

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