fevereiro 19, 2013

Planos inclinados



Nas ruas, sujeitos páram e olham mesas de restaurante vazias. Sem ímpeto, olham apenas, um apenas que demora o regresso a casa. Certos dessa demora, encostam-se a uma parede qualquer e deixam de ser sujeitos. Permanecem vazios, mas são agora, eleitos. Pertencem uns aos outros, uma legião sem lanças ou insígnias. Esperam ordens de conquista, prebendas futuras, céus mais azuis que estes dias cinzentos. Espreitam as esquinas, como se profetas corressem ao seu silêncio. Nas sobrancelhas desalinhadas mostram a sua alma desenhada a carvão e cinza. Nas mãos, cigarros e rugas como palavra-passe. Nos olhos, nesses olhos profundos e assustados, a resignação ou a necessidade de vítimas. Tudo depende da hora do dia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Inclina-se a cabeça, por vezes um pouco o corpo, depois o mundo por entram todos esses seres de faces carregadas de palavras passe, com acesso um plano tanta vezes oblíquo.

:-D

(as conquistas são feitas mesmo sem ordens por mercenários de poder lascivo.)