março 12, 2013

Súbitamente a vontade



Quando as palavras não ocorrem, surgem as imagens e aquele travo que algures guarda o seu sabor, um que saiba a anil e me faça perder num realismo só meu. E quando o momento for luminoso existirá um salto, uma velocidade oposta à pressa e à realidade, uma mudez onde o som seja apenas o meu. Quando as palavras não ocorrem, abrem-se janelas e procuram-se as portas de entrada e saída. Calam-se as pedras e os guindastes e só se ouve o vento e todas as formas de água. Até os beijos são esquecidos. Restam duas pegadas na areia, em espera. E da vontade far-se-á baunilha e canela. Como risos de crianças distraídas, enquanto a vida segue lá fora.

1 comentário:

AnaMar (pseudónimo) disse...

a distância escorre com a chuva e as vila são cidades nas noites em que o som é divino
'as pedras calam-se'
mas
os beijos são
i
n
e
s
q
u
e
c
Ì
v
e
i
s

como o sabor a anis que insisto em trincar.

(e o momento é mesmo luminoso. de palavras cantantes)