junho 19, 2013

8 minutos mais 5

Estou em casa. Descalço as linhas rectas, centro o olhar em perpendiculares traçadas a olho, como se a justificação caísse no chão e ali ficasse. Aqui estou em casa. Inteiro e sem submissões. Perverso, clerical e em pleno road movie, saltando de estrada em estrada, guloso de moteis desenhados em negativo onde se assombra e se é engolido. Apetece-me suspirar fundo como não seria capaz, apetece-me chorar, estender os braços ao longo dos ombros, fechar os olhos e gritar como um carnívoro. Alguém inventou o tempo e eu preciso de tempo. Obrigo-me por esse alguém, odioso por me escravizar e para onde estendo a mão, pedindo-lhe do seu veneno. Olho para cima e os muros dos palácios à beira do canal, estão ainda lá. As ruas ora pejadas, ora vazias só com as copas das árvores zunindo, estão ainda lá. O rio, a ponte, a esquina, o prédio, estão ainda lá. Eu, sentado num comboio, resvalando na superfície, percorro todas as arestas, sejam bares de sushi ou casas de chá. E rendi-me ao café, por não me importar, ora aí está. Recuso largar os vícios e todas as noites, depois dos candeeiros comporem o seu halo, procuro à janela a janela iluminada do quase 1º andar. Já não a encontro, mesmo se nunca a tenha perdido.

2 comentários:

Anónimo disse...

Os palácios são agora ruínas em janelas por onde deslizavam cabelos longos (quase sempre loiros) e os sonhos se abrigavam no mistério da subida de príncipes sem medo.

(a janela iluminada vê-se da janela que é ruína do tempo)

(desaparecem quando se fecham. não se vêem, mas estão lá:-D

H4rdDrunk3r disse...

essas palavras ficam todas tão bem juntas.