dezembro 12, 2013

Guardam-se as profecias, atadas com cordas de baixo

Os destinos estão escritos em livros de capa amarelecida. Cada passo e cada exclamação jazem em páginas cobertas de uma escrita inclinada, cursiva em tons de obsessão, fechando encruzilhadas e tapando janelas obrigando as portas a permanecer abertas, encaminhando humanos como animais. Entre musgos e ramos torcidos pelo vento, encontram-se lajes com milenares símbolos de revolta, como se os antigos soubessem tornear o inevitável. Talvez o conseguissem. Talvez fossem menos fúteis, ao ponto de saborear cada beijo como se fosse o último. Mantinham-se alerta com os pés nus bem fincados em tufos de erva. Do céu, obtinham favores, conhecendo a morada das estrelas de brilho generoso. E sobre restos de vida, desafiavam o desejo animal, como animais. Aqui, desde este promontório onde me tento e desejo ser antigo, sei da página de um livro de capa amarelecida onde o próximo segundo está escrito. E o outro, o outro e o seguinte. Por isso, não vos maço mais e darei o salto. Ou não, se a caligrafia for legível.

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