dezembro 18, 2013

Houve uma época



Um pensamento é uma teimosia que a pele agarra e esmaga contra os poros. Dessa teimosia retira-se a fatia, sempre a mesma, que ano para ano matura como se marinada em fel adocicado, mel quebradiço sujeito ao engano e à ocasião. Roído, o pensamento vai ganhando fiapos, a eterna razão para se manter inteiro, banhado por um sangue espesso que o renova como uma respiração onde a boca desmaia a cada sopro. E cada passo, cada medida de passeio que se pisa, deixa-lhe marcas indeléveis, preço de uma raiva contida alimentada a iguarias que amargam algum sol escondido.

Sem comentários: