março 24, 2014

Espera por nós, João


Numa correria desenfreada pisas o chão de calçada, rua abaixo, vida acima, onde nos procuramos mutuamente, tu a mil à hora, eu nas palavras que escreves e berras, ambos na vontade de dias mais claros e de intenções puras. Gostava de dizer que fazes falta, talvez porque fazes mesmo falta e por não mereceres frases vãs. Gostava de beber aquela cerveja e ouvir a tua gargalhada rouca, pelo menos mais uma vez. Enquanto corres à nossa frente, à minha frente, insisto-me em ouvir-te nas tuas canções, grãos de areia que ao escorregar nunca esvaziarão a palma da mão. Não sei o depois, apenas te imagino braços no ar, punhos cerrados, peito ao vento e cara às balas, porque sei que serás um sempre e um nunca mais. Espera por nós, João, um dia essa cerveja ainda ecoará a tua voz.

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