abril 15, 2014

Aviso amarelo


Nesse lugar da mente onde se guardam os segredos escuros, aqueles que saem de noite quando a escuridão se despe e a terra esfria sem se mostrar morna ou arrependida, existe uma gaveta onde os papéis têm cor própria e as letras compõem as frases indispensáveis para serem outros os destinatários das minhas cartas. É um pormenor sem importância, como o papel esquecido na gaveta, porque há outros papéis e outras gavetas, longe, inacessíveis, perdidas na pressa de ninguém e no vagar dos apressados que não conhecem a pressa, a que magoa ou a que molda o desespero dos assassinos. Após uma pausa há um porém, na certeza ou no porquê de serem os pormenores os remos da vida ou as velas do mundo, mesmo se redondo, mesmo sem forma definida ou definição construída sem conclusões. Nas gavetas, os pormenores misturam-se com todas as quinquilharias que se vão guardando. E quando damos por isso, um pormenor é apenas uma quinquilharia.

1 comentário:

Não me esqueças.... disse...

Pormenores fazem sempre a diferença e as quinquilharias podem ser memórias de segredos que o escuro ilumina.



(Posso ser um robot)