maio 14, 2014

Nos poetas guardam-se os cuidados


Adivinhar o que perturba, como se cada halo fosse de água, manhã dentro, manhã fora, salpicos de certezas fugindo à casual indiferença de cada passo de rua, silhuetas esbatidas nas montras e os telhados observando as histórias como se as fossem contar ao serão. Protejo a ousadia e pela espada enfrentaria a anónima forma de julgar, os olhos que espreitam a partida e não a compreendem, mesmo se a verdade se estampe nos rostos. A estação coberta de escuro ainda alberga os últimos fios de sussurro e intenção. Serão os últimos pelo tempo que se esfumar depois da partida. E depois, mesmo depois de desaparecer na primeira curva, fica sentada no banco mais afastado da porta, a vontade de chorar. Deixo-a lá, assim saberei onde a encontrar.

1 comentário:

Anónimo disse...

A vontade de chorar anda sempre comigo, não vá um dia precisar e esquecer-me onde a deixei.

Deslizo, sem escorregar nesta melodia que é também poesia. E onde estão os cuidados que os poetas não guardaram?

Poderoso:"como se cada halo fosse de água, manhã dentro, manhã fora, salpicos de certezas fugindo à casual indiferença de cada passo de rua, silhuetas esbatidas nas montras e os telhados observando as histórias como se as fossem contar ao serão."

Sublime:"A estação coberta de escuro ainda alberga os últimos fios de sussurro e intenção. "

Saio com a certeza de que quem assim escreve, ou é mágico, ou amante, ou guerreiro. E em dias de música, tudo isso e mais que seja.

Agradecendo a enormidade da escrita, aplaudo o excelente gosto musical.