junho 18, 2014

A rua que nunca mais acaba


Sem ontem ou antes, situo-me na periferia das recordações enquanto o eco me circula e detém. Dois pés movidos a sensações, porque cada momento é um quarteirão, coleccionando rumos em cromos desbotados que enchem mais algibeiras do que posso suportar. Pesam-me as almas, todas as que carrego, como mochilas desfiadas por onde vão caindo pequenos esboços de calendários sem datas. Tenho de parar, extenuado, apoiando-me num muro amigo que se ergue para mim. Deste lado, eu e a alvura do dia. Do lado de lá, as penumbras próprias das lápides desarrumadas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Mais do que um título (maravilhoso para um livro, dois, três livros, de tantas ruas que não acabam, se cruzam, se entroncam, ou sem saída, mesmo que não terminem)...

Sublimação do momento em que leio e comento ao sabor da versão longa da música escolhida.