julho 16, 2014

Premonições

No piano que em cada dia se revela aquele, o de outras e afinal as mesmas, porque um coração não se engana apenas esconde de si mesmo, guardo as redenções e os bancos de jardim, vazios como o cais em noite de temporal, passos raros por caminhos de espinhos sem coroa nem beira, amparados pela cor da tristeza em tons de pedra preciosa. Refeito de dores que insistem ser antigas, olho a linha que separa hoje e a ausência de amanhã, como se cada jogo na prateleira fosse uma imaginação. E se a cada movimento fútil do planeta corresponder uma constelação ou um nome grego, ajoelho-me e ofereço o pescoço aos deuses. Rio alto, sabendo que os deuses não existem ou professam um sono demorado. Ao tom brusco da intemporalidade e esquecido de pianos e chuvas cruas, procuro uma cadeira que me responda os mistérios de um mundo próximo, ao mesmo tempo que me acalme as interjeições e os arremedos de poeta. Sentado, saberei o meu ponto cardeal, assim como o segundo exacto da minha morte. Ou de cada uma delas.

2 comentários:

Anónimo disse...

E porque o li , ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=iT-ZAAi4UQQ&app=desktop

a morte é uma passagem, em que o ponto cardeal dividirá a direcção no sentido inverso ao que chamamos: viver.

(Tenho um piano mudo, numa praia outrora privada).
Os deuses , sem dúvida ainda dormem, depois do último milagre que foi a Paz na Terra(mesmo aos homens de má fé).

Adianta-se a hora e a chuva é de sal a sul dum mundo, onde a estupidez e a ingratidão imperam.

Palavras suas, precisam-se.(Ajudam a suportar o torpor de alguns dias, em que....)

Anónimo disse...

vazios como o cais em noite de temporal... arte... cultura e artistas!