novembro 07, 2014

Fahrenheit

Desafiar intrusões
como te desafio em nenhum dia,
por te encontrar perdida
e não desejar picos de montanha
lá longe,
nesses lugares cativos
e inapropriados,
caminhadas depois da hora de adormecer
para chegar a algum altar
onde entrego algo de mim,
do meu interior,
algo que me faça falta
e que a vida reclame
para continuar a acordar-me.

Sinto o corpo afundado,
recortado na neve
e pesado como não sabia.

Entendo a reticência,
atiro sim aos rochedos
e ao grito das aves que não migram,
e espero,
espero muito,
pelos degelos
ou outra blasfémia qualquer
que me leve em turbilhão
e me desenhe em algum vale
de sossegos e palavras,
as bastantes,
só as bastantes,
porque não me interessam os porquês,
as razões
ou os perdões.

1 comentário:

Anónimo disse...

A sinfonia (das) consoante(s) vogais equidistantes num po(e)mar de sentidos proibidos.
A neve será nuvem e a alma flutua.

Mais um excelente momento de leitura obrigatória.

Abrç.