agosto 20, 2017

Na dúvida, certeza absoluta


Na dúvida, certeza absoluta. Porque a luz assim o determina, porque a cidade funciona e a energia é o sangue que perpetua e se consome sem apetite. Atiro-me de qualquer centésimo andar de algum centésimo edifício, a questão é mera retórica ou algum divertimento encadeado pelos faróis de mil automóveis enquanto outros mil esperam a sua vez. A espera existe como palco e a pressa como guião. E cada argumento possui-se a si mesmo, numa latitude impossível onde a manhã se retarda todas as noites. As luzes de qualquer centésima cidade ou milésima rua são a raiz, o caule e a folha. O fruto é a vampiresca necessidade de absorver energia como se fosse guloseima. E a flor, a janela do milionésimo edifício onde se olha, vê e decide o salto.

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