agosto 19, 2017

O sol será azul se eu quiser.


Ínfimo, eu me confesso perigoso, legado de algum trono que desconheço ou apenas motivo de geração incipiente, onde a hierarquia não passa de um favor ou no limite, uma ordem. A ganância da vontade, esse liquido pecado nulo do qual se constroem as lendas ou os semi-deuses, não passa de teimosia temporária, ou aparência excêntrica onde o olhar pára e se diverte. A lei nunca foi una, apenas o papel confirma, mas mil mentes e mais mil e outras mil, compreendem cada instante de maneira alheia, como se a vida fosse propriedade da alma e a alma existisse como decreto orgânico onde a vírgula e o parágrafo fossem fios de vento que não se agarram nem repetem. Dúvidas são as respostas dos alados quando nos sobrevoam, inchados da sua proeza e inertes no seu propósito. E nós, de olhar no céu, ou em céus diferentes, buscamos o que não se encontra. Prendemos o nosso pulso ao portão enferrujado e ali ficamos em pausa por muito que gritemos luta. Aplaudimos a maré apenas por ser maré. E choramos as lágrimas que guardamos em garrafas para os momentos de choro. Ínfimo, eu me confesso supremo, apenas por me lembrar destas mínimas incertezas arrumadas a um canto.

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