agosto 21, 2017

Não há contabilidade na saudade


Quando se contabilizam os dias retira-se de algum lado o espírito que os envolve. Os dias são vasos sagrados onde se plantam sementes extraordinárias, palavras incompletas ou rajadas de vento. Mas ao se entregar aos dias, a esses vasos uterinos, os números e as fórmulas de catalogar, perdem-se definitivamente as passionatas relíquias que vivem e exaltam a cor e o sabor de que são formados os nós dos amores. E se os números insistem, os vasos secam por dentro, tornam-se quebradiços por fora e cada dia desfaz-se em medidas de tempo que apenas servem os infra-humanos, especialmente os que nunca se imaginaram. Quando o dia faz por existir, quando as horas e os minutos se transformam em verbo, acariciar não é o primeiro de nenhuma lista. É certamente momento de o declamar.

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