janeiro 24, 2013
Controvérsias
Novelo e dez libras de pimenta. A canela ficou no cais, os carregadores sentados mordiscando gordura de toucinho. Empunham cartas que atiram sem conhecer os naipes. Sentado no muro, um sonhador. Será levado pela maré. Os capatazes vestidos de azul garganta e laranja demónio esperam o almoço. Beberricam cálices de anis. A água pejada de cravinho servirá de digestivo. Como um chá beligerante. Como velhas empunhando ceptros papais. O arlequim confere contentores. As gruas recortam o poente, bafejando o fim da tarde à laia de bouqué. Ao toque da sirene chega o tatuador. Escolhe, esburaca e craveja. Para uns um Rueben. Outros, apenas pão sem sal.
janeiro 20, 2013
Perdões e pecados
Chegar como se um leme fosse bastante. No sol um limite de horizonte pregado na margem, um salto ou um grito, o que te aprouver, nem que seja maldito pois o prazer tem direitos que as coisas mundanas não têm. Por detrás da porta, da janela e do reposteiro, os copos pousados no piano, a penumbra como máquina de escrever, desfiam-se corpos, percorridos como labirintos, sem pedrinhas para marcar caminhos, sentidos únicos de intensa ventriloquia. O chão, pasto de dolências e carícias, recebe o estio. A seiva corre, livre de intentos e caules, presa a colmeias como prisões, ameias onde se deitam as armas e os cansaços. As bocas caladas, dormentes, seguem o recorte de um dia que se deita, e elas, deitadas, deixam-se apagar, suadas.
E se o tempo decidir acabar
Uma hora do meu tempo
como se cada hora fosse de alguém,
como se a demora tivesse regras
e raízes.
No terreiro
ao cheiro de queimadas,
a igreja como muro,
acendo-me o relento em repouso
seguro da terra que será meu corpo,
regado todos os serões
como se o tempo fosse dos avós.
Uma hora ou algo redondo assim,
como se cada hora,
como se a demora,
me tivesse a mim.
dezembro 21, 2012
Hoje não houve meio-dia
Janelas de sentido único - prezado ouvinte, sinta o cheiro da nova estação - janelas alinhadas ou fatias de bolo, vícios à espreita como quem se esconde e olha a silhueta quase desnuda - são horas, o seu tempo chegou e tomou o nosso - estremecendo copas de árvores e entendendo a geometria de varandas onde se suspende a fantasia, o conforto e o desgosto de ser aqui, a alcatifa, o lençol, o dia cinzento e amargo, salpicos de incerteza por não se conhecer o próximo passo. Quase é um dogma. E mesmo assim, embrulham-se tachos de arroz de tomate em jornais, mexem-se saladas com as mãos, enche-se o copo de vinho só a meio e com o cotovelo apoiado na toalha olha-se a rua pela janela, o apetite à espera, as juras de amor no bolso e o cigarro paciente. E assim, como o locutor de rádio afiançava, estamos aqui toda a tarde, como se a tarde fosse uma vida inteira, e o encosto da cadeira, o único amor de uma vida.
dezembro 14, 2012
Um certo meio-dia depois da hora
Certezas do que não existe, essa invenção de peluche recortando as realidades, as que forem e as escondidas, mais aquelas que são em esplendores de lixo e restos de comida dourada, todo um mundo de fantasia onde nos dizem como olhar e dizer. De fora, daqui, olho estas monstruosidades e espero a chuva para mudar de canal. Na janela, as últimas flores habituam-se à penumbra. Lá fora, nos degraus amarelecidos, juntam-se, em repouso, as entidades cuja invisibilidade perturba. Preparo-lhes chá e amêndoas, como todos os semestres. Oferecem-me a indulgência. E eu, grato, cerro os olhos e sinto-lhes a alma, uma, partilhada como uma especiaria. Olho de relance o canal que agora me parece difuso. Apago-o com o pensamento. Já não preciso dele.
dezembro 05, 2012
Deste lado do paraíso
As moedas guardadas e repetidas, os corredores, as circunstâncias, desmaiadas no sentido descendente da incúria. Os elevadores, as portas fechadas e abertas barafustando filamentos, os dedos indicadores espetados na certeza e no vazio. Deste lado as gaivotas falam, salpicam de leve cada manhã, substituem-se aos deuses que dormem. Do outro lado, o sono acordado é hipnose e logro. O cansaço. A promessa do jardim se prolongar até à ponte. A bicicleta sem travões descendo a rua dos encontros. O linho desfiado, essa personagem, meia miragem, encerrada em livros de lombada descomunal onde se arrumam antigamentes. Deste lado, à guarda da poltrona, folheando vagares, as moedas sabem a rebuçados, os corredores parecem passagens secretas e as circunstâncias são apenas atacadores desapertados.
novembro 29, 2012
Ocular

Digito e por essa causa, virtuo. Pertenço a toda e ao restrito, desventro-me e assemblo-me, projecto o dever e o devir, rodando em mim mesmo, sobre o meu ente no gesto de substituição do divino pelo resto de uma divisão, eu pela consciência, eu como cume e labirinto oculto pela superfície. No movimento atinjo, na pausa renovo, no reinício aprendo. A junção dos sentidos num só, como se a fusão fosse um método religioso, circulando as cores como veículos e os órgãos na exacta medida da sua imponderabilidade. As coisas são objectos ao sol e emoções no escuro. Porque a claridade e escuridão sentem-se, em simultâneo, em contacto com a impressão digital. Uma que se torne causa.
novembro 27, 2012
Atitudes e apetites
Ao descer a rua das montras de vidros tocando o passeio, penso e existo nas três esquinas que do lado esquerdo me desafiam e atrevem-me a alma. Decido esquecer as vírgulas e outras hesitações. O que sai de dentro não deve ser tocado. Como um passo seguindo outro, calçada de cubos assimétricos, revelo os rócocos nas esquadrias e aqueles cetins ou linhos sobre meios-manequins, a forma perfeita de me lembrar de algo. Na primeira esquina exijo-me o título, talvez a capa. O cheiro também. Não se trata de odores nem fragrâncias. Cheiros, assim, crus, dolentes e demorados. Como se a intensidade fosse um minuto inteiro. Acredito numa sensação de recordação e sem remorso atiro-me em frente. Regresso a este tapete de ontem e hoje, impossíveis de separar. Na segunda esquina, faltam os ganchos e a fita cola nunca o foi. O fascínio já lá não está. Adiante. Algum cauteleiro, senhoras de cabelo suspenso, elegâncias e sujidades à mesma mesa de lanche. Alguns dourados. Demasiados sinais de doença. Uma doença arrastada, vivida, resignada em cada refeição, em cada sono, em cada véspera de Natal. Vejo a terceira esquina. Está lá como uma sentinela sem tempo. Há tanto tempo. Paro, olho o chão e a ponta efervescente da bota negra de uma tropa que não o chega ser. Aperto o fecho do blusão até sentir o pescoço fechado. Passo a mão no cabelo aumentando a crista. Sorrio sem que os olhos por detrás dos óculos negros sorriam. Viro à esquerda como um bom soldado faria e de pé em riste, rebento o vidro da montra sem me proteger. Sinto o corte. O fio vermelho compõe-me. Atravesso a rua, faço uma carícia num bebé de carrinho e subo rumo à chávena reconfortante de chá.
Doutrinas
Doze caules feitos samurais, perdidamente apaixonados e sem dote para as filhas de porcelana de doze artesãos. As agruras têm sempre um número, um algarismo seguido de outro e mais outro, álgebra descodificada pelos santos sem religião, que não usam hábito nem virtude, que não conhecem a noção de pecado e abrem os braços com a liberdade de quem acredita no voo, léguas e milhas de campos onde crescem verdes rebentos de uma chuva persistente e mimada. São quatro as divindades que assistem aos fenómenos da vida. Não têm nome. Não precisam. Sabem, com rigor, as mil faces de cada samurai, as cinco mil formas do olhar de uma porcelana. Não se repetem, nem por uma vez: as sabedorias e as formas de ser mulher.
novembro 26, 2012
Ficção não ciêntifica
Seremos as vozes e os lamentos, as discórdias e todos os muros, os tijolos que construiram os fornos e as pás que recolhem as cinzas. Seremos o restolho e a colheita, por essa ordem, porque a numeração está inversa, endemoniada ao serviço de aritméticas perversas por resultados plurais. Seremos autónomos na cólera e na malária, ou cobertos de escamas num cretáceo fabricado com fibra óptica e roldanas. Seremos gritos, submissões, copos cheios e nódoas. Seremos as flores manchadas, arranjos perfeitos de bombardeamentos com hora marcada. E nas reuniões, entre calças vincadas e risco perfeito nos cabelos, surgirão debaixo das mesas, centopeias com viscosas decisões. Seremos então, fósseis.
novembro 22, 2012
Esperando senhores importantes
Na varanda, com vista para os ditadores, havia uma nesga por onde se via a porta do avião. Tinha o copo quase cheio. No parapeito todas as garrafas que quisesse, o suor que pingava, os vestígios habituais de sangue e os buracos de bala nas paredes. Com o sol a pique, o dia era uma dia normal, naquela doutrina específica que afirma o dia como um grupo de vinte e quatro horas, algumas escuras, outras de claridade. Aqui, a claridade era como a escuridão, uma exactidão difícil de conceber. A porta do avião continuava fechada. A risca vermelha ao longo da fuselagem, intocável no rebordo da porta. Alguns guardas de óculos escuros e metralhadora, o trivial. Bebi mais um gole e preparei-me para outro cigarro. No chão restos de maços ameaçavam a espera. Mais um olhar, a porta, encaixe de esquadro na superfície brilhante do avião. Olhei o copo e bebi o resto de uma só vez, adiantando uma impaciência própria de sol lancinante. Tinha no bolso as duas balas de ouro oferecidas no primeiro dia. Gostava de sentir o seu peso no bolso. Emprestavam-me valor. Ou alvo. Não sei ao certo a verdade. Tentei-me pentear mas senti uma pasta de cabelos encharcados e em desalinho. Típico. A cadeira, demasiado pequena para a arma, parecia uma miniatura de casa de bonecas. Sorri. São coisas que enternecem antes de ver o cérebro saltar em gomos.
novembro 21, 2012
Três pancadas com 3 segundos de intervalo
Na contenção, mãos paradas e dedos imóveis, desço o olhar submetendo a hora ao cardeal, ténue alvoroço por detrás da porta enferrujada, camuflada pelos contentores de caracteres cirílicos, longe do comum e muito além do mortal. A corrente do relógio estremece e toma o lugar do pêndulo. Os lábios têm sabor a sangue, como se a saliva fosse definitivamente espessa, textura sinuosa que mantém a sede unida ao prazer. Os passos querem-se vagarosos, desejam-se quase parados, num arrastar demente em direcção a cada recanto onde se desenham cruzes de todas as religiões, essas religiões onde a multidão é a lâmina de um punhal de cabo escaldado. Com o cabelo em desalinho, ombros ensopados pela chuva, o sabor da derradeira maldade permanece intacto. Tão intacto como a palidez de uma criança.
novembro 17, 2012
Aula
As palavras são tão permissíveis, tão atrevidas de memória e despidas de sabor, por pretenderem enfeitar em vez de dizer. As palavras que se dizem, que tu dizes, que eu ouço, que eu digo, baixinho, que eu grito desesperado, que decido entregar por desvario, as palavras presas por filamentos, ditas entre chocolates e trufas, mastigadas de fumo e vinho, as palavras da concordância, da definição carmesim, dos rituais semi-apagados em pergaminhos com sabor a sal e esgoto, as palavras em latim de todas as épocas. Cada letra é um prego na cruz de todos os senhores, senhoras de noite, senhores sem género ao permitir devaneios e risinhos nervosos. Cada letra, cada sílaba, acre, ácida de tanto amargo, escarro de tanto doce, tanto arabesco pintalgado de flores sem cheiro, sem cor, sem amor. Palavras sem sexo, sem orgasmo, palavras sem desejo nem prazer, ou apenas sem vontade. Palavras que se dizem pelos candeeiros ligados em cada sala iluminada e escurecida de carreirinhas de letras em marés absortas e obtusas, chaminés altas de fábricas de palavras, arrumadinhas em caixotes, com carimbos de envio para todos os destinos que se imaginem... menos a alma, mesmo se cheirando a lama.
novembro 13, 2012
Partindo pausas
Secretos restolhos e areais,
cestos de piquenique levados pela maré,
zumbidos à flor de uma pele
na palidez frágil de uma cintilação,
são as cadências
e nuvens feitas de almofada
onde o infantil tem o trono
e a rainha só se recorda dos confeitos amarelos.
Além
na falésia em forma de mesa,
permanecem os druidas desnudos,
sinal de tempos e relógios sem ponteiros,
ferrão espetado na linha de horizonte,
onde o sol já não está
e o laranja ainda existe.
Ruas de portas e números repetidos
Despido, à janela, situando-me tanto nesse quarto andar como no passeio ou no bar da esquina, rigorosamente na esquina, entendo a espera como o passo fulcral do prazer. As vozes, as que deixo entrar, cercam-me de dedos apontados, lençóis esperando calor, copos que se querem meio cheios, deveres e brincos de madre-pérola espalhados por entre os papeis, cinzeiros cheios. Na rua, no passeio por debaixo das árvores sussurrantes, os degraus esperam a pausa ou o vício, o assassino de medo em riste, a mesma espera, os embriagados de rumo incerto descobrindo curiosidades alheias como se o escuro se tratasse com xarope. Na esquina, rigorosamente na esquina, já não existe nada. Tiraram o bar, todo, levaram-no para às escondidas o despirem e o meterem na cama, um sono que não acabe, um sono que faça o esquecimento acordar. O vidro da minha janela tem desenhada a minha respiração. Traço-lhe uma decisão. Alguém, os passos incertos de algum amante, olharão para cima e reconhecerão a senha. A porta está aberta. Sempre esteve.
novembro 10, 2012
Carnegie é antes da próxima esquina
Enquanto espero olho a ponta das calças amarrotadas, aquele afunilar do joelho ao sapato, pretendido na fluidez de uma avenida de luzes ainda acesas, descendo de um pedestal até à praça vazia que ainda há pouco abarrotava de passeantes e gabarolas, esses de cabelo revolto à custa de toques de pulso, cigarros acesos porque sim, portas abertas chamando incautos. Toco com dois dedos no copo, ensaiando movimento que entrechoque o que resta das duas pedras de gelo, pé apoiado nesse tamborim cor de vinho, goles gulosos que daria se fossem menos horas, se as soubesse subtrair e agitar a aritmética do tempo perdido, aquele sorriso feito algoritmo, como se o barman tivesse algo a esconder e aquela mulher, que apenas lhe resta fatalidade, conhecesse os segredos de todos, os que se demoram e os demais, rápidos no prazer e como dobram a esquina. Demorar é o verbo, a coluna jónica do desejo, a dois, o par elevado à condição de único, divindades a meias santificando o prazer à vez. Por cima da última fila de garrafas jaz aquela gravura que insisto homenagear Turner ou algum anónimo, efeito de um ópio envelhecido sem odor nem maleabilidade, mas que se fuma por obrigação. Na esteira, uma gasta partitura. Serve-me de consolo como alguma almofada, se a houvesse. Vejo-a de linhas alinhadas, pontinhos negros ensaiando escadas, a derradeira versão de um testamento roubado em casa de ourives. Sigo-a pelas ruas que circundam o bairro dos quartos alugados, revejo-me no matraqueio regular dos seus saltos altos, serpenteio pela costura da sua meia, colheita preferencial do meu amor que será fumo daqui a duas horas. Serei fiel. Mas apenas enquanto as duas horas demorarem. A demora. A pressa de esperar num banco corrido de madeira numa estação de comboio, malas roçando o chão e esses apressados de farda e boné controlando bilhetes e intenções. Subo a carruagem número sete, amarrotando a ponta da calça, aquela junto ao sapato. Piso a alcatifa adoentada e sigo a geometria básica de um corredor sem extensão. Paro à porta do compartimento vazio, cubículo que tresanda a tabaco e suor. Sento-me revolto em cansaço, moído como farinha, e avisado em demasia dos perigos da fronteira e dos viajantes de última hora.
novembro 09, 2012
Debaixo da mente e à beira da cela
Curvilíneos solares em abóbodas onde se movem as linhas do dedo divino, esse divino chamado ontem, transformação de um medo ou de circulares fechos de contas antigas, uma provocação gerida pelos vulcões, outrora apagados, sediados em alguma cafeteria japonesa onde o tapete rola submisso, soturno, empalidecendo esgares e apetites, daqueles que não terminam, dos que desaguam em hóteis de néon incompleto e camas desfeitas, porque o tempo não demora e os gestos exigem atenção. Somos peças de algemas, encadeados pelo abismo das nossas escolhas, varandas nocturnas onde se espreitam os amantes do prédio próximo, relevos de pêndulo contínuo enquanto a manhã não regressa. Ao longe o comboio, as janelas trémulas de cada passagem, vítimas de horários de conveniência. Já não existe o romântico matraqueio do carril, algum mordomo de ocasião anunciando o sabor e o pecado. Já se esqueceram os furtivos beijos em algum apeadeiro de província, ignorados e motivo de conversa por semanas. Sentado ao balcão, hesitando entre o café frio e a cerveja choca, observo mais do que vejo. E por isso, sou voyeur de mim próprio.
Pretendido
Nesse então,
curiosa cadência
ao ser um
e depois mais outro,
sorvem-se boreais
desaguando na turva
e elementar
copa de árvore,
caduca de um Outono demorado
como se cada erva
e cada chávena de chá,
violentassem a espera
e o odor a sossego.
O perigo de todos os dias,
suaves ou pedregosos,
é a quantidade,
ínfima,
de sangue que impregna
o beijo
e a vontade.
novembro 08, 2012
Onde a falésia decide a planície
Saltos, cabriolas e gritos submersos em areia molhada e cores de manhã infantil, doce como suaves ziguezagues enjeitando o cuidado dos maiores, quando a água é mais do que elemento, mais e mais fundo, cobertos de rochas cobertos de conchas como coladas, vivendo vidas que nem se imagina ou descobre. Sãs sugestões, como pérolas achadas entre ervas esvoaçando à brisa da maré, casas de telhados quase vermelhos onde as janelas antevêem esconderijos e cordas de mar. Essas pausas corridas, perpétuos movimentos de sereias e cabelos revoltos, ali, onde a terra teima em acabar, e os faróis se amontoam enquanto os faroleiros tilintam chávenas de calor e perspicácia. São os dias de bagas e flores amarelas, os serenos pincéis que pretendem diamantes nas paletas de pastel.
A chave, por favor
Existe uma linha que percorre as ruas seguindo o halo dos candeeiros de cor laranja, um filamento de inícios de histórias, olhares fugidios ou apenas gulosos, esses sushis de batom roendo milímetros de lábios sequiosos. São percursos sinuosos, labirínticos mutantes ensinando lições proibidas. São a resposta exacta à fé e ao recato, preciosidades orientais boiando em caldas açucaradas, corredores de um hotel decadente, onde cada porta é um altar e o quarto escolhido, o prolongamento iluminista de uma blasfémia santificada.
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