março 12, 2014
Sejam e não sejam
Curtas metragens anunciando desastres cuja naturalidade só poderá ser comprovada em dias de sol, ou em livros antigos enterrados em cemitérios de Providence. Com esta premissa, pressinto as margens do Volga assentes num deserto mexicano, como se cada candidato a divindade fosse na realidade um saltimbanco cansado de se enlamear de terra em terra, professando o desejo da decisão ou apenas o de sentir-se enxuto. A dualidade é coisa séria, pertencer ou obliterar, avançar ou regredir até pontos sem retorno, meias medidas que tanto podem significar barris de cereais ao vento como anciãos de cócoras observando a velhice na terra batida. A escolha é indiferente, as direcções partem sempre de cruzes pintadas no chão, o mar, esse cúmplice, estará, como sempre, à espreita e à espera, farol molhado semicerrando os olhos rumo ao areal suspirando pela falésia. Como todas as coisas, se coisa é uma coisa, alinham-se as dúvidas e hipóteses em forma de tempo, faz-se de cada minuto um arrumo e de cada hora uma gaveta, respeitam-se as convenções por razões raramente desenhadas, e todo o papel, gravata ou corte de cabelo é elevado à potência, ruralidade de um número primo, factorizado porque sim. Nas canções, redigem-se as leis do mundo, este em vez de outro qualquer. O retrato da ingerência chamada vida, são as linhas que escrevo, testamento autenticado pela vírgula que todo o estado alterado contém. Nas entrelinhas, escondem-se os arco-íris que desconhecem o ouro, mas antecipam as cabriolas dos planetas. E cada ponto não será final. Os inícios vendem-se em cada esquina, e por cada um, oferece-se a palma da mão.
dezembro 24, 2013
No divino a embriaguez da demora
Tenho-te debaixo da pele, como tantas vezes te senti com a pele gasta dos meus dedos, mesmo se a chuva me lava as imperfeições dos sentidos e me escorre os demónios dos pensamentos, tornando-me limpo à imagem de algo que se inventou e escondeu com medo do que erra e se arrasta pelas paredes imundas dos cemitérios e das fábricas abandonadas, pastos de infâmia e doçura, vislumbres feitos de almas passadas que brilham no escuro. Com o meu isqueiro entrego-lhes o que de solidário tenho no íntimo, ínfimo que ofereço na ilusão de lhes dar a provar o meu sabor e a minha carne. No sorriso, o que de humano me resta, há restos dessa poção que os antigos chamavam amor. E dos antigos admito uma lenda, existem deuses. Eles aqui estão, sentados pesadamente enquanto trocam olhares e hálitos. Eu, no meio da tempestade, olho-os com a deferência da tradição e a altivez da rebeldia, ciente e esquecido da condição de ser um deles.
Mikhail morreu
Sim Mikhail, compreendes agora? Afinal o calibre é mais duradouro. E custa menos manter a culatra limpa que uma mão cheia de arroz. Compreendes a vantagem? Os olhos brilhantes sentados na poltrona, contando os zeros na soma final e as baixas na coluna ao lado. Tão democrático, varrer silhuetas sem nome e sem preferência, ligados uns aos outros porque apenas estavam ali. Porque as mãos erradas podem pagar. E as mãos limpas estão sujas de procurar no lixo a mão cheia de arroz. Sim Mikhail, compreendes agora? O porquê de um bicho do mato se lembra de te ter, chapeado a ouro, num capricho de senhor e a realidade de menino? A arte de eliminar como quem deseja um sonho ou pinta um anjo. Não sofres com o frio nem com o calor. És um sem-abrigo ideal, imune às intempéries e às flutuações dos mercados, indiferente à água tal como ela falta às crianças, ignoras a areia tal como ela encolhe os ombros ao sangue quente que a molha. Sim Mikhail, compreendes agora porque gostam tantos e tão poucos de ti? Tantos que não sonham que tão poucos ganham o que eles desconhecem, mesmo de dedo em riste e coração enegrecido. Sim Mikhail, compreendes agora o teu erro?
dezembro 19, 2013
Um, dois, nada
O poder de chamar as coisas pelos nomes que lhes são devidos, é a exaltação de todos os pequenos nadas que permanecem quietos até ao estrondo do trovão. Das janelas avistam-se as vidas dos outros, enormes como paquidermes lentos e saciados, na certeza de amanhã chegar sem sobressalto ou aviso amarelo. As cores são etiquetadas por decreto, o mesmo que determina quotas na arte de existir. Nas paredes e nos postes de electricidade, faltam os cartazes onde se anuncia o desaparecimento de animais sem estimação, as pessoas, elas mesmas, que antes tinham o direito a contribuir e hoje são códigos de barra desactualizados, mas que sei eu... Um pedinte que se recorda de punks de negro descendo a rua em correria, pontapeando montras e pára-choques de carros estacionados, sob um céu cinzento de chuva adiada e ao ritmo de estranguladores e campaínhas. As mesas sob a luz de néons lilazes e o cheiro de ketchup gasto e mostarda seca, onde eram grandes as manias com a grandeza que o coração ordenava. As gargalhadas desvaneceram e pelo chão ficaram os guardanapos de papel rabiscados a rumos e destinos. Ainda lá devem estar. E aqui, esmurrando a parede com restos de transistores e pontos de solda, espero a última hora com o esmero dos degolados.
dezembro 18, 2013
Houve uma época
Um pensamento é uma teimosia que a pele agarra e esmaga contra os poros. Dessa teimosia retira-se a fatia, sempre a mesma, que ano para ano matura como se marinada em fel adocicado, mel quebradiço sujeito ao engano e à ocasião. Roído, o pensamento vai ganhando fiapos, a eterna razão para se manter inteiro, banhado por um sangue espesso que o renova como uma respiração onde a boca desmaia a cada sopro. E cada passo, cada medida de passeio que se pisa, deixa-lhe marcas indeléveis, preço de uma raiva contida alimentada a iguarias que amargam algum sol escondido.
dezembro 17, 2013
Cruel
Sinto-me perdido nesta extensão de nada, sufocado por uma praia que se deixou raptar em vez dos teus braços me agarrarem e me obrigares a olhar esse teu lado que insisto em ver como monumento e obra litúrgica. Preso nesta camisa de forças, coberto pela cinza que cai do meu capricho, enfrento todos os corredores e pontapeio as portas fechadas procurando pornografias alheias onde me possa enroscar e encontrar abrigo silencioso. Abro a carta pela enésima vez, e de todas as vezes não sei ler. Os hábitos, perdi-os no campo de batalha, onde as rotinas sangram e o gibão despedaçado deixa ver o peito imaculado. Cobardias decerto, essas migalhas que satisfazem a fome aos cinzentos e arrancam gargalhadas aos invisíveis que se alimentam de ouro colhido sobre as barrigas inchadas dos mortos de fome. Eu não vi estas atrocidades. Em vez disso, rebusquei as gavetas dos tesouros menores convencido de riquezas que saciassem o meu egoísmo. Como um ovo, almejei a perfeição que só encontrei em botões de punho desadequados. Na tradição, descobri a ordem do universo. Um projecto de universo, onde as galáxias se discutiam em programas de televisão. Olhei as estrelas e sorri com um leve escárnio de mim próprio. Era incapaz de saber o que eram estrelas. Olhei em volta, para os corpos nus copulando desenfreadamente entre o suor das aves de rapina, deitei-me lentamente e adormeci. Que a crueldade me assombrasse o sono e os dedos sentissem a vertigem.
dezembro 13, 2013
Diário sem virgindade nem amor
Algum prisma ou forma geométrica dos infernos seria ideal para explicar as notas fora de tom, que me servem de capa de super-herói e ao longe, desenham a silhueta de escarpa ou edifício nocturno de luzes em labirinto. Como um sem-abrigo encadeado pelos faróis da desistência, tapo-me com cartões de êxitos populares e escondo-me por trás de um tapume de glória e glamour, como se cada rasgão do meu traje fosse cortado com intenção e ciência. Depois bastava colar os restos com fita adesiva castanha e tracejar a camisa branca das grandes ocasiões com essa pedra-pomes do desenrascanço. No céu, sobram poucos aviões e à chuva os táxis não são amarelos o suficiente. Em cada beata saboreio o charuto que deixei no porta-luvas e sem espelhos conheço cada centímetro da minha face. Estes sinais, nada mais que isso, revelam a inconsistência como dogma, berço de uma religião que não abraço por me sentir virginal em mais cantos que o mundo pode dispôr. As calendas, escritas de véspera, assinaram o veridicto com nenhuma pompa e toda a circunstância que se puder encontrar nos manuais. Assim, vencerão os já vitoriosos, num uivo final de satisfação animal, que os próprios animais desdenham. Quando a meia-noite for alta, puxarei o corbertor imundo para os ombros, deixando os pés destapados, frios e inertes nas botas da obrigação.
dezembro 12, 2013
Guardam-se as profecias, atadas com cordas de baixo
Os destinos estão escritos em livros de capa amarelecida. Cada passo e cada exclamação jazem em páginas cobertas de uma escrita inclinada, cursiva em tons de obsessão, fechando encruzilhadas e tapando janelas obrigando as portas a permanecer abertas, encaminhando humanos como animais. Entre musgos e ramos torcidos pelo vento, encontram-se lajes com milenares símbolos de revolta, como se os antigos soubessem tornear o inevitável. Talvez o conseguissem. Talvez fossem menos fúteis, ao ponto de saborear cada beijo como se fosse o último. Mantinham-se alerta com os pés nus bem fincados em tufos de erva. Do céu, obtinham favores, conhecendo a morada das estrelas de brilho generoso. E sobre restos de vida, desafiavam o desejo animal, como animais. Aqui, desde este promontório onde me tento e desejo ser antigo, sei da página de um livro de capa amarelecida onde o próximo segundo está escrito. E o outro, o outro e o seguinte. Por isso, não vos maço mais e darei o salto. Ou não, se a caligrafia for legível.
dezembro 10, 2013
Às seis ainda o dia já foi dia
Baixou-se para apanhar aquele algo que lhe faltava. Olhou-o na surpresa de reconhecer, negando a consequência de uma busca, como se os segredos fossem afinal fruto de um esquecimento. Hesitou entre o bolso da gabardine ou a palma da mão, num trajecto quase de procissão. Hesitou como quase sempre em que a decisão navegava entre o fútil e o sistema nervoso arrasado pela espera. Antecipou os pingos de chuva e deixou-se molhar de palma da mão aberta. Assim seria apontado a dedo por incúria e ao mesmo tempo a sua rebeldia ecoaria nas gargalhadas de boca aberta. É o som desse riso que desagua por entre contentores e lixo subatómico. O cenário perfeito para pontapear pesadas portas fechadas e exigir esse copo meio cheio que é a dúvida.
novembro 21, 2013
Os homens máquina ficam melhor de bigode
Depois do primeiro café, olhou o espelho e sentiu a tentação de se benzer, mas era só tentação, uma réstia de sonho e como costume já não se lembrava dos contornos com a clareza desejada. Alisou o cabelo dos lados, naquele monumento a uma arquitectura ultrapassada, mas que gostava de preservar. Passou três dedos pelas bandas do casaco, amaciando entretelas imaginárias, verificou o bigode e sorriu aos trejeitos que a sua rotina fora de horas obrigava. Acendeu o primeiro cigarro ainda antes de fechar a porta. Quis dizer qualquer coisa alto mas desistiu na redundância de estar só. Desceu os degraus em ritmo de mambo, beijou a mão da porteira, derretida aos seus avanços de instante, mergulhou na rua barulhenta e decidiu-se pelo labirinto de ruelas do bairro 56. Contou duas avenidas, uma praça imensa e 4 ruas até lá chegar. Não há dúvida que metódico era o seu nome do meio. Estendeu o braço, virou o pulso para si e nas teclas dissimuladas na pele, teclou o destino. Porque não tinha tempo a perder...
setembro 09, 2013
Fatiando o orvalho
Dentro dessa gaveta, os novelos estão calados, misturando as cores com o mesmo empenho que se escondem dos visitantes inesperados. Tardam em construir um céu onde caibam, prolongando a dúvida de quanto medem ou que espaço ocupam. Como um areal, adiam contar todos os grãos de areia, pois a repetição mata e mói. E ainda assim, alimentam-se dela, e nela depositam os seus ovos e esperanças. Da outra margem, a que vêm ao longe ao princípio da manhã e antes da tarde cair, recolhem a imaginação de nunca lá chegar, como se a linha do horizonte não fosse feita de açucar. Lembram-se e repetem a lembrança, como se cada fio de recordação ficasse preso na porta enferrujada. Mordem pêssegos e molham a lã com os pingos de calor. E deixam-se ficar, enrolados, sem forma, na espera proverbial da nova madrugada, uma que lave e arraste o restolho, na purificação magnânime das certezas.
setembro 02, 2013
Aquela esquina desbotou o céu anil
A caneta, como as cartas, envergonham-me cada minuto, desfazendo a serenidade que anseio, aqui sentado, disforme por dentro e com os dentes amarelos de décadas. Descobri hoje que sou de carne e osso, mortal como todos e aprazado como quem preza cada dia, mesmo na consequência de ser o último. Já não escolho as palavras, deixei-me purista. Abraço agora a condição de medíocre como se amanuense não fosse um pretérito. Nas canções de outros, e porque sou incapaz de escrever as minhas, descubro cada centímetro de mim. Suspiro lentamente e respiro, quase transpiração, as horas enterradas pela fuligem dos ponteiros, lápides e degraus, passeios fora da agenda e cafés vazios depois do almoço. Aceito com solenidade a esquina onde uma velhinha vendia tremoços e pevides aos domingos, gente sem passar segunda vez, como a batota num jogo com um só jogador. No regresso, fechada a gaveta das mangas curtas, rebolavamos na garagem escurecida ou adormecíamos nas escadas do museu, certos que existiamos sem nós. na praia deserta avistava-se no mar a chuva que não tardava, e encharcava-me na doce carícia da transgressão. Faz-me falta purificar na areia molhada e sentir que amanhã, é apenas um quadrado de calendário que me trará o outra vez. Antes, muito antes de descobrir, que o calendário pode desprender-se da parede.
História completa da humanidade em fragmentos de volume
Somos vários,
agimos, perpendiculares,
existindo na essência de um não acontecimento.
Aos remorsos
chamamos vírgulas,
protegemos o imenso, guardado debaixo das unhas.
Reis e reinos
vegetam sob a nossa demora,
as violências desmoronam a capacidade de acreditar.
Traça-se uma ideia,
a perfeição,
medida e pesada como mercadoria.
Eis a nossa história,
bifurcada em ameias e pactos solares.
Seremos vários,
quando se acordarem os adormecidos.
agimos, perpendiculares,
existindo na essência de um não acontecimento.
Aos remorsos
chamamos vírgulas,
protegemos o imenso, guardado debaixo das unhas.
Reis e reinos
vegetam sob a nossa demora,
as violências desmoronam a capacidade de acreditar.
Traça-se uma ideia,
a perfeição,
medida e pesada como mercadoria.
Eis a nossa história,
bifurcada em ameias e pactos solares.
Seremos vários,
quando se acordarem os adormecidos.
agosto 05, 2013
Diário de bordo, número 50
Os macacos dirigem-se ao veio indicado na fórmula e confirmado pelo memorando, afinal as regras e as determinações estão afixadas no quadro junto à cantina. Descem-se as escadas em compasso. Cada cadeira, cada tabuleiro, 6 cavidades e a música referenciada de multi-qualquer coisa. Pedem-se rodelas e algo mais sem querer ou vontade de terminar. Olha-se o tecto numa oração morna e circular. Cada cadeira, cada par de mãos juntas apoiadas em formica branca, estímulos guardados nas gavetas etiquetadas, sonolência em tons de cinzento difundida por todos os altifalantes. Não me lembro se alguma vez vi alguma porta por aqui. Coço o focinho com a mão peluda e tento sorrir. Não me lembro como.
agosto 01, 2013
Adorno em praia e pêssegos
Ao suceder,
reflectem-se os humores e os caminhos das lendas,
momentos reais afinal
adornados com orvalhos e morangos.
Ao estar,
multiplicam-se caminhos e paredes em ruínas,
os passos miraculosos
da fadiga e do sorriso.
Ao amar,
vêm-se fantasmas e a cor dos ventos,
os beijos vivem para sempre
e na ternura de um arrebatamento
todos os nadas são intentos,
como se a copa das árvores
fosse um aconchego.
reflectem-se os humores e os caminhos das lendas,
momentos reais afinal
adornados com orvalhos e morangos.
Ao estar,
multiplicam-se caminhos e paredes em ruínas,
os passos miraculosos
da fadiga e do sorriso.
Ao amar,
vêm-se fantasmas e a cor dos ventos,
os beijos vivem para sempre
e na ternura de um arrebatamento
todos os nadas são intentos,
como se a copa das árvores
fosse um aconchego.
julho 26, 2013
Precipitando
Refeita e repleta, revolves a areia antecipando o teu andar ao sol.
Sumarenta, privada, particular na cadência e no despertar, reiventas a maneira de dizer bom dia e permaneces dia durante a noite.
Nocturna, revelas o segredo de ser, enlevo de imprevisto e inesperado com sabor a frutos do bosque.
Solar, alimentas o sorvo de uma sede esfomeada, colher de prata remexendo o meu círculo, mesmo desenhado sem compasso.
Sumarenta, privada, particular na cadência e no despertar, reiventas a maneira de dizer bom dia e permaneces dia durante a noite.
Nocturna, revelas o segredo de ser, enlevo de imprevisto e inesperado com sabor a frutos do bosque.
Solar, alimentas o sorvo de uma sede esfomeada, colher de prata remexendo o meu círculo, mesmo desenhado sem compasso.
julho 24, 2013
Couraça e feno
A fúria dos calmos e das pétalas
em resguardos de cidadelas em chamas,
pernoita no agacho e bem quieto
frondosamente podridos e rasgados.
Do serão
apenas a discordia,
vereda descoberta na latada,
quando a mó se cala encoberta.
Na mão
o copo enformado,
disforme no vidro de mau trabalho.
Nos dedos
a virtude e a mudança,
velhice, pessimismo e aventurança.
em resguardos de cidadelas em chamas,
pernoita no agacho e bem quieto
frondosamente podridos e rasgados.
Do serão
apenas a discordia,
vereda descoberta na latada,
quando a mó se cala encoberta.
Na mão
o copo enformado,
disforme no vidro de mau trabalho.
Nos dedos
a virtude e a mudança,
velhice, pessimismo e aventurança.
julho 23, 2013
E se acordar durante o sono?

No segredo
na dúvida de uma chuva de Verão
na correria em círculo rumo ao pensamento
como as flores e os silêncios
na ânsia do desenho que o beijo sulca a areia.
E se o sono me visitar
pegajoso e quando se insinua
pergunta-me os passos trocados da dúvida
realejo afinado pelo caruncho
a parte da minha alma que se vê
em suaves perigos veniais.
De repente
julho 01, 2013
Quarto 222, por favor
Havia algo de liceal, como de definitivo. E se a espera era quieta e morna, o desespero agarrava a roupa da cama ameaçando a palidez. Sempre imaginei a doçura de um quarto de hotel, entrecortada pelo desvario incontrolável de uma profunda decepção. Tudo por uma violenta emoção, mesmo se terminasse em carícia ou num fulminante disparo.
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