De ocaso em ocaso,um bolso intenso
de uma gabardine habituada
a esperar o momento
e o néon súbito
da espera
e do soluço,
revolta de não ter chave
nem porta para abrir
os lençóis
para esconder alguma parte do corpo.
Segundo a sua doutrina,
elevou algo que conseguiu lembrar
e num relevo
que sempre lhe marca o rosto,
decide andar mais um pouco
na certeza de algum sorriso
ou lágrima
que consiga suportar
e esquecer.
Quando passar por ele
não o conhecerá,
perdido
em desvendar traços
e espessuras
iluminadas por tons banais,
cinturas
e ombros encolhidos
entrelaçados por olheiras
e por instantes.
Sentado no passeio,
deixou-se seduzir
por um candeeiro insinuante,
véu significado de desmaio
na epiderme de vontades
e prazeres,
panos sumptuosos
de oiro carmesim,
ignorâncias assumidas
por desconhecer a cor.
Da varanda agastada
pelo arrepio
do escuro,
seguiu o sulco deste homem
serpenteando alguns minutos
no epílogo
de tantas noites,
querela de pontos cardeais
e de uma coroa de conde,
vénia de ciscunstância amarga
e proveito
de quem espera
e sabe,
estar a porta aberta
e os lençóis
aquecidos.
Ao som de Ratnabali Adhikari "The One part II"

